Rivaldo: o gênio incompreendido.


Se realmente vivemos na sociedade do espetáculo, em que os marqueteiros assumem o posto de conselheiros da corte e ajudam a alçar ao primeiro escalão até mesmo o mais cretino de seus clientes, um gênio nordestino representa por excelência a antítese dessa concepção: Rivaldo, o homem que acaba de assinar com o renovado São Paulo.

Sempre avesso aos convescotes da sociedade, Rivaldo sempre sobreviveu na selva do futebol baseado única e exclusivamente em seu talento. Sua perna esquerda, capaz de toques de categoria, lançamentos precisos e chutes patenteados (pela estranha curva que imprime na bola), levou-o ao posto de melhor do mundo, em 1999, e de, na prática, melhor jogador do Mundial de 2002, ao lado do Fenômeno.

Porém, se é verdade que a arte imita a vida, esta não imita a arte. Fosse um filme hollywoodiano, e Rivaldo seria o exemplo perfeito do homem que comeu o pão que o diabo amassou até, a despeito de todos os problemas enfrentados durante o caminho, alcançar a glória e o reconhecimento de todos. Só que, na verdade verdadeira, como diria o outro, as coisas não costumam tomar um caminho tão linear assim. Mesmo tendo jogado nos maiores clubes, representado a seleção mais admirada e vencido importantes torneios, o cabra Rivaldo sempre foi visto de esguelha por críticos e torcedores.

“Ele anda em campo”, “tem menos sangue nas veias que uma Amélia” e “já está na fila do INSS” são algumas das frequentes apunhaladas voltadas ao craque. Como não costuma usar seu crachá para se impor, até mesmo alguns atletas lhe viram a cara, domados pela inveja. Desconfio de que, ciente dos feitos de Ronaldo, Fred e Adriano em seus retornos para casa, Rivaldo tenha topado o desafio de assinar com o São Paulo para tentar deixar uma última impressão gloriosa no carente público brasileiro.

Sinceramente, torço por isso. Se um semestre espetacular é capaz de levar Montillo ao time da década do Cruzeiro, três gols em um clássico fazem do limitado Obina o exterminador alvinegro e pedaladas valem contratos milionários para Robinho, a Providência que se vire para arrumar a Rivaldo o carinho que ele sempre fez por merecer e nunca recebeu. Já dizia o jargão: podemos esquecer o passado, mas o passado não esquece da gente.

 

Bernardo Esteves

 

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Publicado em 24/01/2011, em Esporte, Futebol e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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