O Brasil no contexto dos terremotos


Tremores de terra estão sendo registrados cada vez com mais frequência pelo mundo; será que estamos livres?
Os moradores de Alagoinha, um município, com cerca de 15 mil habitantes, localizado em PE, a 225 km de Recife, entre segunda e terça-feira (09), conviveram com pelo o menos 47 tremores, provocados por terremoto, que teve sua pontuação máxima, de 3,2º graus na escala Richter. O registro foi feito pelo laboratório de Sismologia da UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Algumas edificações sofreram rachaduras e deverão ser analisadas pela Defesa Civil. Esse tipo de ocorrência no Brasil, entretanto, não é algo inusitado. Estima-se que anualmente aconteçam cerca de 100 abalos no país, de pequenas proporções.

As cidades de Alcântaras (CE), Caruaru (PE), Granja-Parazinho (CE), Icaraí de Minas (MG), Itacarambi (MG), Montes Claros (MG), Norte de GO (GO), Paraíbuna (SP), Presidente Figueiredo (AM), Santa Cruz do Xingu (MT), Sobral (CE), Taboporã (MT) e Taipu (RN), entre outras, aparentemente não têm nada em comum. O que as relaciona, no entanto, é o fato de terem também sofrido recentemente abalos sísmicos, neste ano, que foram registrados pelo Observatório de Sismologia da UnB – Universidade de Brasília. Essas são algumas das localidades, que integram uma lista, onde já foram constatados tremores de baixa ou média magnitude no país. Uma realidade que é desconhecida por grande parte dos brasileiros.

Segundo George Sand, chefe do Observatório Sismológico da UnB, o Brasil é o país onde há a menor incidência de terremotos ou sismos no mundo (liberações de energia, que não são suportadas pelas rochas), porque está no meio da placa tectônica sul-americana, ou seja, não fica em suas áreas periféricas, onde geralmente ocorrem os atritos. O oceano Atlântico, por sua vez, é uma zona de divergência, o que significa que as placas se afastam, ao contrário do Pacífico, que é de convergência.

“Os abalos ocorrem, porque há o movimento contínuo das placas tectônicas, que compõem a litosfera, que é a parte mais externa da Terra. É formada por rochas e minerais e é passível de rachadura ou fraturas, e fica até 100 km da superfície da Terra”, explica.

Apesar da localização favorável do Brasil com relação a países como o Haiti e Chile, que estão em zonas de convergência, isso não impede que haja terremotos por aqui, que variam de 1º a 6,2º graus, dentro da série histórica. Existem algumas regiões com maior atividade física sismológica. “Isso ocorre, porque nesses locais, há camadas sedimentares, que exercem maior peso sobre a área, além de falhas geológicas”, explica. De acordo com Sand, esses locais ficam concentrados em trechos do Ceará e no Rio Grande do Norte, em uma faixa de 150 km a 300 km no mar, da costa de Vitória até o Rio Grande do Sul, entre Goiás e Tocantins, e em alguns pontos, como Caruaru, em PE, e em Codajás, em Manaus (AM), entre outros.

ALERTA A PARTIR DE 3º

George Sand, da UnB, explica que não existe um grau máximo de magnitude, como popularmente é divulgado ser 9º, na escala Richter. “O maior que se tem notícia foi de 9,5 graus, no Chile, em 1960”, diz. O sismólogo alerta, que mesmo terremotos de magnitude três, por exemplo, podem resultar em rachaduras em casas (como aconteceu em Alagoinha, PE, nesta semana). “No Brasil é importante se avaliar esse riscos, porque as estruturas não estão preparadas”, diz. Ele esclarece que em uma região, um mesmo grau pode ter intensidade dos danos diferente.

No Brasil, há pelo menos, 20 ocorrências, a partir de 3º, anualmente, e a cada cinco anos, na faixa dos 5º. “O mais recente foi em São Paulo (5,2 graus), em abril de 2008 e o maior terremoto que tivemos no país foi em Porto dos Gaúchos, MT, de 6,2 graus, no ano de 1955”, afirma.

Segundo a SEDEC/MI – Secretaria Nacional de Defesa Civil/Ministério da Integração Nacional, por meio da assessoria de imprensa, o órgão tem capacitação específica operacional e infra-estrutura para atendimento a terremotos de magnitudes altas, como ocorreu no Chile, de 8,8 graus na Escala Richter, apesar de nunca ter passado pela experiência aqui.

Algumas universidades brasileiras e centros de sismologia, que monitoram as atividades, as repassam ao órgão. Hoje são poucos locais de excelência, como o Observatório de Sismologia da UnB, o setor de Sismologia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP e o laboratório de Sismologia da UFRN. Quanto aos tsunamis (ondas de grande altura provocadas por abalos sísmicos), o Brasil não dispõe de um sistema de detecção, que segundo a SEDEC/MI, se deve à probabilidade da ocorrência deste fenômeno no oceano Atlântico ser remota.

 

fonte: bahia Norte

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Publicado em 24/03/2011, em Destaque Brasil e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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