Vale oficializa Murilo Ferreira como novo presidente


Conselho de Administração aprovou nesta quinta-feira a nomeação. Executivo irá substituir Roger Agnelli a partir do dia 22.

Murilo Ferreira, em imagem de arquivo (Foto: Divulgação/ Vale)

O Conselho de Administração da Vale oficializou nesta quinta-feira (19) o nome de Murilo Ferreira como novo diretor-presidente da companhia. O executivo irá suceder Roger Agnelli no comando da empresa a partir do próximo domingo (22).

Ferreira tinha sido indicado pelos acionistas controladores da Valepar no dia 4 de abril e o seu nome foi aprovado em reunião extraordinária do Conselho de Administração, realizada nesta quinta-feira, segundo comunicado divulgado pela empresa.

A Vale informou ainda que na ata da reunião o Conselho de Administração “consignou o reconhecimento pelo trabalho contínuo e bem-sucedido desenvolvido por Roger Agnelli ao longo dos últimos dez anos que muito contribuiu para que a Vale alcançasse a posição de destaque que desfruta atualmente, no Brasil e no mundo”.

A Valepar é a principal acionista da Vale, com 53,5% das ações ordinárias (com direito a voto) da mineradora. A Litel, formada pelos fundos de pensão, tem, por sua vez, 49% da Valepar. A Bradespar, comandada pelo Bradesco, tem outros 21,21%; enquanto o Mitsui e o BNDESpar têm, respectivamente, 18,24% e 11,51% da controladora da Vale.

Perfil do novo presidente da Vale

Murilo Pinto de Oliveira Ferreira  tem 57 anos e é graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), com pós-graduação em Administração e Finanças pela FGV do Rio de Janeiro e especialização em M&A pela IMD Business School, em Lausanne, na Suíça.

O executivo tem mais de 30 anos de experiência no setor de mineração e trabalhou na Vale durante 10 anos. Ele ingressou na empresa em 1998 como Diretor da Vale do Rio Doce Alumínio – Aluvale, atuando em diversos cargos executivos até sua saída em 2008, quando atuava como presidente da Vale Inco (atual Vale Canadá) e Diretor Executivo de Níquel e Comercialização de Metais Base da Vale, quando foi substituído por Tito Martins.

Em sua passagem pela Vale Canadá, Ferreira enfrentou uma prolongada greve, que contribuiu para que o executivo tivesse problemas de saúde pouco antes de deixar a empresa. Após sair da Vale, Ferreira foi convidado para ser um dos sócios fundadores da Studio Investimentos. Em março deste ano ele se desligou da gestora de ações para retomar a carreira executiva.

A indicação de Ferreira, no início de abril, surpreendeu o mercado. O nome mais cotado de início era o de Tito Martins, que comanda a Vale no Canadá. A indicação do executivo, porém, foi bem recebida pelo mercado.

Saída de Agnelli

A campanha pela saída de Roger Agnelli da presidência da Vale, cargo que o executivo ocupava desde 2001, começou ainda em 2008, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, quando, durante a crise econômica, a Vale demitiu quase 2 mil trabalhadores, medida que irritou o governo. Até aquele momento, o presidente e Agnelli mantinham uma relação próxima.

Em 2009, Lula criticou a Vale, defendendo que a empresa precisava exportar mais valor agregado, não apenas minério de ferro. Agnelli também sofreu críticas, quando a empresa decidiu contratar embarcações na China e na Coreia. O governo Lula defendia que a empresa priorizasse a produção dos navios em território nacional.

“A visão do governo ou a missão do governo é totalmente diferente de uma empresa”, disse Agnelli no começo do mês, durante apresentação do Vale Brasil, maior navio mineraleiro do mundo, fabricado em um estaleiro coreano.

Embora a Vale tenha sido privatizada em 1997, o governo exerce influência na companhia por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de fundos de pensão de empresas estatais liderados pela Previ (dos funcionários do Banco do Brasil), que são acionistas da mineradora. Junto com a Bradespar (empresa de participações ligada ao Bradesco) e da trading japonesa Mitsui, eles controlam a Vale.

Agnelli ocupava o cargo desde 2001. Sob o comando dele, a Vale chegou à posição de segunda maior mineradora do mundo e maior exportadora brasileira. Em 2010, a empresa registrou lucro de R$ 30,1 bilhões, “o maior da história da mineração”, segundo a companhia. No 1º trimestre de 2011, a Vale teve lucro líquido recorde de R$ 11,291 bilhões, ante R$ 2,879 bilhões em igual período do ano anterior – o que equivale a alta de 292,2%.

História da Vale

1942 – Getúlio Vargas assina o decreto-lei nº 4.352 e cria a Vale, após os acordos de Washington com os EUA. Empresa encampa a Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia, a Companhia Itabira de Mineração e a estrada de ferro Vitória a Minas.
1943 – A assembleia de constituição definitiva da Vale aprova os estatutos da empresa e fixa a sede administrativa em Itabira (MG) e o domicílio jurídico no Rio de Janeiro. Israel Pinheiro é nomeado o primeiro presidente da empresa.
1949 – Vale é responsável por 80% das exportações brasileiras de minério de ferro
1952 – Governo brasileiro assume o controle definitivo do sistema operacional da Vale
1960 – Criação da Companhia Siderúrgica Vatu, primeira subsidiária da Vale para o beneficiamento de minérios
1962 – Criada a subsidiária Vale do Rio Doce Navegação S.A. (Docenave)
1969 -Inaugurada primeira Usina de Pelotização da Vale, em Tubarões (ES)
1970 – Acordo torna a Vale sócia majoritária do empreendimento de Carajás (PA).
1971 – Fundada a Rio Doce Geologia e Mineração S.A. (Docegeo), para realização de pesquisas e lavra de minério
1974 – Torna-se a maior exportadora de minério de ferro do mundo
1980 -Edifício-sede da Vale no Rio de Janeiro é praticamente destruído por um incêndio
1982 – Ingressa no segmento de alumínio, com o início das operações da Valesul Alumínio S.A
1985 – Rodominas entrega à Vale a Estrada de Ferro Carajás. É inaugurado o Projeto de Ferro Carajás
1993 – Fundação Getúlio Vargas (FGV) classifica a Vale como a primeira empresa no ranking nacional}
1994 – Papeis da Vale começam a ser negociados nos EUA
1997 – Vale é privatizada em leilão realizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.
1998 – No primeiro ano após a privatização, Vale atinge crescimento de 46% no lucro em relação a 1996
1999 – Vale tem o lucro maior de sua história, R$ 1,251 bilhão
2003 – Apresenta maior lucro líquido da história: R$ 4,509 bilhões
2004 – ale atinge valor de mercado de US$ 25 bilhões
2005 – Empresa tem recorde histórico na produção de minério de ferro, com 240,413 milhões de toneladas
2006 – Anuncia compra da mineradora cadandense Inco
2007 – A Vale do Rio Doce passa a se chamar Vale
2010 – Vale tem novo lucro recorde, de R$ 30,1 bilhões.

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Publicado em 20/05/2011, em Destaque Brasil e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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