Bem-sucedidos, com dinheiro e escravos das drogas


foto: Wilton Prata
A foto maior mostra DAlena Rocha David, 27 anos, depois que largou o vício
A foto maior mostra Dalena Rocha David, 27 anos, depois que largou o vício. A foto menor mostra os estragos do crack, quando era usuária

Médicos, advogados, engenheiros, economistas, designers, artistas. É cada vez mais comum encontrar pessoas com maior poder aquisitivo escravas das drogas. E muitas perdem suas vidas por isso, segundo especialistas. A condição de estresse de algumas profissões e a facilidade de comprar os entorpecentes, por causa do poder aquisitivo, são alguns das causas que fazem com que esse grupo aumente a cada dia, observa o médico especialista em dependência química João Chequer.

Em busca do prazer,  usuários, muitas vezes, acabam perdendo a noção do perigo para comprar, a qualquer custo, entorpecentes. Na madrugada do último domingo, o advogado Paulo Sérgio Furtado Chiabai, 33 anos, foi espancado e baleado, depois de ter subido o Morro São José, na Praia do Suá, em Vitória, para comprar e usar drogas.
Segundo a polícia, o advogado foi até uma boca de fumo e se drogou nas proximidades. Irritado por achar que havia pago muito e recebido pouca droga dos traficantes, ele retornou ao local e discutiu com o “responsável” pelo ponto do tráfico. Essa atitude quase custou a vida do advogado.

Mãe: “Estamos abalados”

foto: Nestor Müller
Carro que era dirigido por advogado ficou com marcas de tiros, após discussão com traficantes
Carro que era dirigido por advogado ficou com marcas de tiros, após discussão com traficantes

Após levar uma surra e ser baleado, o advogado  Paulo Sérgio Chiabai precisou correr para salvar a própria vida. Ele consegiu sair do morro com três cortes na cabeça e três perfurações de tiros no braço direito.

O advogado recebeu alta do hospital, ontem, e retornou para casa. Segundo a mãe dele, a bala não foi retirada. “Estamos muito abalados. Ele não é usuário contínuo. No dia, meu filho teve um aborrecimento e está se recuperando”, contou a mãe.

A Polícia Civil já está à frente das investigações em busca dos suspeitos de atirarem e baterem no advogado. Já a atitude dele, será avaliada pela Corregedoria da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/ES). O corregedor da OAB, Francisco Pio, afirmou que vai buscar informações sobre a situação e tomar as devidas providências.

“O indivíduo inscrito na Ordem deve ter uma conduta compatível com a moral do Estatuto do Advogado. Ele é advogado em qualquer situação e deve seguir o princípio da moralidade”, afirmou Pio. Apesar de ter sido vítima de tiros, o advogado poderá sofrer até mesmo punição por parte da OAB.

Amy

Um ponto final para uma triste história

Foi preciso perder quase tudo na vida para que a vendedora Dalena Rocha David, 27 anos, largasse o vício do crack e escrevesse uma nova história da sua vida. Mãe de três filhos, a maranhense vem de uma família com boa condição financeira e está internada, pela segunda vez, em uma clínica de reabilitação em Jacaraípe, na Serra. Agora, espera colocar um ponto final no pesadelo que viveu nos últimos quatro anos.

“Perdi meu casamento, meus amigos e meus bens por causa das drogas. Meu marido me largou, porque disse que não queria uma mulher noiada?. Eu tinha uma boa condição financeira”, contou Dalena, 23 anos, que começou a usar crack misturado com cocaína.

A maranhense disse também que veio para o Espírito Santo se tratar, porque a família dos seus pais mora na Serra. Na primeira vez, ela ficou dois meses e 11 dias na clínica de recuperação, mas voltou por causa dos seus filhos, que continuaram no Maranhão.

Nessa época, ela conta que não  resistiu e voltou a usar drogas. Cansada de ver a mãe se consumir pelo crack, uma das suas filhas pediu para que ela voltasse para a clínica.

“É duro você ver sua filha, com 10 anos, pedir para se cuidar. Aquilo foi o ponto de partida para que eu realmente quisesse largar o crack. Meu pai, até hoje, não fala comigo por causa do meu vício. Agora, é viver um dia de cada vez e encontrar em Deus a minha força”, afirma.

Fabio

Na fé, a ajuda  para vencer o vício

A cantora e desenhista industrial Liliane Almeida, 40 anos, tinha uma vida que muitos gostariam de ter. Com uma boa condição financeira, morou em cidades como São Paulo e Belo Horizonte, e chegou a fazer uma pós-graduação  na Itália.
Mas, a felicidade aparente  não a livrou de entrar no mundo das drogas. A porta de entrada foi o álcool e, aos 12 anos, ela tomou o primeiro porre. A partir daí, começou a usar maconha, cigarro,  cocaína  e crack.
Ela se apegou à fé para vencer o vício: “Acredito que a falta de diálogo em casa  seja um dos principais motivos que levam as pessoas das classes mais altas a usarem drogas. O que acontece é que a elite esconde os problemas”.

foto: Wilton Prata
Estudante luta para se livrar das drogas e ficar ao lado da filha
Estudante luta para se livrar das drogas e ficar ao lado da filha

“Perdi carro, trabalho. Perdi tudo”, conta estudante

Os pais são, muitas vezes, exemplos para os filhos. No caso da estudante de Turismo, que se identificou apenas como Tatiana, 32 anos, a influência materna foi muito negativa. Ela conta que, desde   pequena, via a sua mãe usar maconha e desaparecer por dias por causa das drogas. Por isso,  as drogas sempre fizeram parte de sua vida.
Sua entrada para o vício começou cedo aos 22 anos, quando começou a usar cocaína. A situação se agravou aos 29,  quando começou a usar crack. Foi aí que ela perdeu o controle.
“Eu tinha carro, trabalho e perdi tudo. Uma vez, fiquei tão doida para comprar droga que roubei da minha avó 600 euros e uma joia de família que valia
R$ 5 mil  e vendi por R$ 850. Até hoje, ela não me perdoou”, contou a estudante.
Tatiana está internada, pela quarta vez, em uma clínica de dependência e diz que encontra na filha a força para se recuperar.

É difícil os ricos saírem das drogas

Para a psicóloga Cristiane Palma, a necessidade da fuga da realidade não vem de agora e não escolhe classes sociais, idade e etnia. O grande “x” da questão é como as pessoas lidam com os problemas e a capacidade que cada um tem de sair das adversidades.
“Muitas pessoas encontram nas drogas, lícitas ou não, a maneira de fugir dos problemas e acabam arrumando um ainda maior”, disse.
Porém, Cristiane afirmou que é mais difícil as pessoas das classes sociais mais altas largarem o vício. Também é mais fácil de elas entrarem no mundo das droga. “Geralmente, essas pessoas acham que, com dois meses de internação, estão reabilitadas. Mas é preciso pelo menos um ano e meio. Quando voltam para o círculo social em que elas vivem, muitas vezes sofrem recaídas”, completa.
Já o médico  e especialista em dependência química João Chequer alerta que o álcool é, muitas vezes, a porta de entrada para as drogas mais pesadas:  “Quase todos os usuários usam mais de um tipo de droga e o álcool interfere no mecanismo de censura. O primeiro passo para quem quer largar o vício é ser acompanhado por médicos especialistas”.

Casagrande
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Publicado em 26/07/2011, em Destaque Brasil e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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