Os gadgets da Polishop


Como o empreendedor João Appolinário criou uma empresa de 2 mil funcionários que testa e vende produtos de todos os tipos pela internet, na TV e em 132 lojas de shoppings

Lembra dos desenhos da série Looney Tunes? Não importava qual o plano do coiote. Ele sempre recebia uma entrega da Acme com os mais variados produtos. Se a turma do Pernalonga vivesse no Brasil, provavelmente a fornecedora do vilão seria a Polishop.

Vendendo mercadorias que custam entre 9,99 reais (adaptador de tomadas) e 9 999 reais (uma poltrona de massagem), a empresa oferece alguns produtos altamente tecnológicos e outros nem tanto, como o tênis que faz o usuário malhar sem perceber.https://i1.wp.com/marketingderede.ganhardinheiro.net/wp-content/uploads/2011/05/produtos-polishop.jpg

Com um portfólio de cerca de 2 mil itens, a Acme brasileira também tem uma infinidade de gadgets de marcas consagradas e outras desconhecidas. Há tanto TVs de LED com tecnologia 3D, da Philips, iPods e iMacs (a Polishop é revendedora da Apple) quanto filmadoras Aiptek e player de vídeo iLuv. Essa arca de Noé do consumo nasceu de uma ideia de João Appolinário, 51 anos, vendedor nato que cresceu entre as lojas de carros da família na região do ABC, em São Paulo. Empreendedor com faro para bons negócios, Appolinário se encantou, nos anos 1990, com a moda da terceirização e bolou um negócio que funcionaria com uma estrutura enxuta. “Com poucas pessoas no escritório seria possível comandar uma estrutura com logística, call center e produtora de anúncios”, diz Appolinário.

Colocado em prática, o plano deu tão certo que falhou. Explica-se: no lugar de terceirizar a operação, como pretendia, a Polishop controla quase todas as etapas do seu negócio. Com mais de 2 mil funcionários, a empresa conta com uma estrutura que inclui produtora, canal de TV, venda porta a porta, loja online, 132 lojas físicas em shoppings, call center e desenvolvimento de produtos.

Teste de Funcionamento

Preocupado com custos e qualidade, Appolinário preferiu controlar tudo de perto. Nascia aí a loja que junta seu sobrenome com um dos adjetivos que mais gosta de usar: polivalente. “Temos uma linha de produtos que chamamos de made in Polishop, desenvolvida por nós, sem uma marca conhecida, mas que atende sempre a três critérios: inovação, qualidade e exclusividade”, diz Appolinário.

Com essa receita, a empresa conseguiu seu maior hit, a linha George Foreman Grill. “O Foreman é pouco conhecido no Brasil. A maioria das pessoas deve achar que ele é um bom chef de cozinha. A Polishop tem essa capacidade, de desenvolver novas categorias de produtos”, diz ele. De fato, a marca George Foreman foi regada pela Polishop com infinitas horas de comerciais na TV, e agora dá frutos.

Para descobrir segmentos diferentes, como o de aparelhos portáteis para abdominal ou vassouras especiais, há um caminho longo. Como a Polishop exige exclusividade, os fabricantesprecisam adaptar seus produtos para atender aos pedidos de um time de engenheiros da empresa. Eles confirmam se tudo o que é prometido funciona. No caso dos eletroeletrônicos, as máquinas são desmontadas e cada componente é checado. Resistência e procedência das peças também são averiguadas. Os aparelhos passam por testes de estresse e é feita uma avaliação do desgaste em laboratório. “Às vezes recusamos até produtos de marcas famosas”, diz Appolinário. “Existem itens que ficam até 90 dias em teste.” Uma etapa mais, digamos, informal dos testes acontece na casa de Appolinário, que no momento está encantado com uma máquina que tritura gelo e uma assadeira elétrica.

Herança negativa

A próxima etapa da vida de um produto “made in Polishop” é ser transformado em estrela de uma maratona de anúncios. A empresa compra tempo na TV, banners na internet e tem uma revista. Atualmente, são 134 horas de comerciais no ar — 24 horas em canal próprio e outras 110 em canais variados. Assim, uma filmadora de marca desconhecida ou umcelular intermediário ganham status de objeto de desejo de um jeito que os fabricantes não conseguem bancar.

Um obstáculo ainda a ser superado é a herança negativa deixada pelos pioneiros da televenda. “Canso de ouvir gente perguntando se a faca Ginsu fura a meia Vivarina. Eu nunca vendi esses produtos”, diz Appolinário. “Ainda existe a crença de que toda venda por TV tem produtos com qualidade duvidosa.” A desconfiança do consumidor foi um dos motivos para a chegada da Polishop aos shoppings. A marca possui 132 lojas e prevê abrir mais dez até o final do ano. Nos shoppings, na web ou na TV, é mais fácil fugir do coiote do desenho animado que da Polishop.

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Publicado em 28/07/2011, em Destaque Brasil, Economia & Negócios, OPORTUNIDADE, Tecnologia e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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